quarta-feira, 28 de março de 2012

Cordão da Mentira desfila pelas ruas de São Paulo

Composto por coletivos políticos, grupos de teatro e sambistas, Cordão da Mentira questionará quem e quais são os interesses que bloqueiam uma real transformação da sociedade brasileira.

Será realizado neste domingo (1º), em São Paulo, o desfile do Cordão da Mentira. Composto por coletivos políticos, grupos de teatro e sambistas de diversos grupos e escolas da capital paulista, o Cordão da Mentira questionará quem e quais são os interesses que bloqueiam uma real transformação da sociedade brasileira.

O desfile ocorrerá no Dia da Mentira e do Golpe Militar de 1964. A concentração será às 11h30, na frente do Cemitério da Consolação.

quinta-feira, 15 de março de 2012

MPF ajuíza 1ª ação da história do país contra agente da ditadura

por Najla Passos

O Ministério Público Federal (MPF) ingressou ontem (quarta, 14), com a primeira ação penal da história do país contra um militar acusado de praticar crimes durante a ditadura. O denunciado é um dos carrascos mais odiados por torturados, familiares dos desaparecidos políticos e militantes dos direitos humanos: o coronel da reserva do Exército, Sebastião Curió Rodrigues, comandante da última ação de repressão à Guerrilha do Araguaia, a chamada Operação Marajoara, deflagrada em outubro de 1973.

Na denúncia, apresentada à Justiça Federal de Marabá (PA), Curió é acusado de seqüestro qualificado dos guerrilheiros Maria Célia Corrêa (Rosinha), Hélio Luiz Navarro Magalhães (Edinho), Daniel Ribeiro Callado (Doca), Antônio de Pádua Costa (Piauí) e Telma Regina Cordeira Corrêa (Lia), ocorridos entre janeiro e setembro de 1974. Conforme depoimentos e informações colhidas pelo MPF, todos eles foram capturados pelas tropas comandadas pelo então major Curió, presos em bases do Exército e submetidos à tortura. E nunca mais foram encontrados.

Atividades homenageiam Augusto Boal e Teatro do Oprimido

Dramaturgo completaria 81 anos nesta sexta-feira (16)

da redação de Brasil de Fato

Diversas atividades celebrarão, a partir desta sexta-feira (16), o Dia Mundial do Teatro do Oprimido. A escolha da data é uma homenagem ao criador do Teatro do Oprimido, o carioca Augusto Boal, que completaria 81 anos em 2012.

Nascido em 16 de março de 1931, o diretor de teatro, dramaturgo e ensaísta dedicou a vida e obra em favor das lutas sociais. Baseadas em uma estética preocupada com as questões políticas e sociais, as técnicas e práticas do dramaturgo foram difundidas em todo o mundo.

segunda-feira, 12 de março de 2012

General duvida que Dilma tenha sido torturada na ditadura

Trechos da entrevista do general Luiz Eduardo Rocha Paiva por Miriam Leitão.

Por que o senhor é contra a Comissão da Verdade?

Eu sou contra a Comissão da Verdade, agora não adianta ser contra. Ela vai existir. Era contra no momento em que ela pretende apurar a memória histórica do país. Isso é trabalho para pesquisadores e para historiadores e não para uma comissão, que eu vejo como uma comissão chapa branca. Ela busca a reconciliação nacional depois de 30 anos, e não há mais cisão nenhuma, que tenha ficado do regime militar, inclusive porque as Forças Armadas são instituições da mais alta credibilidade no país. Então, não vejo a necessidade. Acho que se há alguma coisa a investigar é só usar a Policia Federal e, com vontade política, a presidente tem autoridade pra ir até onde ela quiser, respeitada a Lei de Anistia. Eu fiz uma análise da lei da Comissão Nacional da Verdade. E eu vejo que essa lei não é imparcial. Esse facciosismo e o provável maniqueísmo do seu relatório a gente pode ver a partir dos objetivos.

"Repare bem" mostra resistência de três gerações de mulheres à ditadura

Documentário produzido por cineasta portuguesa mostra a luta feminina durante o período militar

por Suzana Vier

Encarnación, Denise e Eduarda. Três mulheres fortes, da mesma família, símbolos da resistência feminina à ditadura dão voz, corpo e alma ao documentário “Repare Bem”, exibido na última semana na Cinemateca Brasileira, na capital paulista. “A mulher é esse ser capaz de lutar, resistir e transformar a vida para depois prosseguir. Não é só na ditadura, é em todas as dificuldades da vida”, enfatizou Denise Crispim, depois de receber o certificado de anistiada política brasileira – junto com a filha Eduarda.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

A resistência parlamentar à ditadura

A ditadura civil-militar, instalada no Brasil a partir de abril de 1964, fez questão de manter a aparência de democracia. Com o parlamento funcionando, apesar de algumas interrupções, havia a impressão de liberdade política no país. No entanto, as forças agrupadas em favor do retorno à democracia insistiam em dar demonstrações ostensivas da existência de um regime autoritário e de uma luta contra a ditadura. Cassações, prisões, torturas e assassinatos conviviam ao lado de uma aparente normalidade, uma vez que a ditadura insistia em negar a existência de presos políticos e afirmava que os desaparecidos nunca foram presos e nem estavam em seu poder.

O humanista Apolônio de Carvalho

A trajetória do revolucionário que combateu pelas liberdades democráticas e conquistas sociais.

“Quem passa pela vida e não tem nenhum horizonte definido, nenhum ideal que possa e queira lutar, está sujeito à mediocridade”.

por Aline Scarso

O preso político Newton Leão Duarte conta no livro 68: a geração que queria mudar o mundo: relatos um fato extraordinário presenciado em 1970, quando estava encarcerado no Prédio de Investigações Criminais (PIC) do 1º Batalhão de Polícia do Exército, no Rio de Janeiro (RJ). Na ante sala da sua cela, pela primeira vez pode observar um preso enfrentando os torturadores, que o obrigavam a tirar a roupa para iniciar a sessão de abusos.

Começou-se uma luta corporal e aos gritos o tenente inquisitor chamava os cabos de guarda para ajudá-lo. “Com a chegada dos reforços, o recalcitrante, que insistia em não se submeter ao capricho dos carrascos, foi dominado e fez-se silêncio”. Depois disso, Duarte diz que pode observar o preso lutador: “Vi um homem de meia idade, deitado com a barriga para baixo, as mãos e pés amarrados às costas, o corpo marcado pelos sinais da luta, maltrapilho, porém, vitorioso porque vestido!”, conta.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Perseguidos pela ditadura recebem reparação do Estado

Comissão da Anistia julgou 23 processos movidos por filhos e familiares

por Caros Amigos

Dificuldades em adaptação, prejuízos escolares e com a língua, falta de integração ao voltar para o Brasil e até acusação de terrorismo foram alguns dos relatos ouvidos na última sessão de julgamento da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. Durante a quinta-feira (2), foram julgados 23 processos de filhos e familiares de perseguidos durante a ditadura. À época, quase todos eram crianças e foram forçados a viver no exílio com seus familiares. Todos os processos foram deferidos.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Silvaldo Leung Vieira, o fotógrafo do corpo de Herzog

por Lucas Ferraz

A foto de Vladimir Herzog morto nas dependências do DOI-Codi em outubro de 1975 tornou-se um símbolo da repressão promovida pela ditadura (1964-85). A tentativa falhada de simular o suicídio do jornalista enfraqueceu a linha dura. Pela primeira vez, o fotógrafo Silvaldo Leung Vieira fala à imprensa.

Henri Cartier-Bresson, fundador da mítica agência Magnum e mestre francês da fotografia, definiu num célebre ensaio de 1952 a arte do fotógrafo como a capacidade de captar um instante decisivo, para o qual deve estar alerta.

"Enquanto trabalhamos, precisamos ter certeza de que não deixamos nenhum buraco, de que exprimimos tudo; depois será tarde demais, e não haverá como retomar o acontecimento às avessas", escreveu ele.

O instante decisivo na vida do fotógrafo santista Silvaldo Leung Vieira foi também um instante decisivo para a vida política brasileira. Aluno do curso de fotografia da Polícia Civil de São Paulo, Silvaldo fez em 25 de outubro de 1975, aos 22 anos, a mais importante imagem da história do Brasil naquela década: a foto do corpo do jornalista Vladimir Herzog, pendurado por uma corda no pescoço, numa cela de um dos principais órgãos da repressão, o DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna).

Publicada na imprensa, a imagem corroborou a tese de que o "suicídio" de Herzog era uma farsa. No mesmo local, três meses depois, o mesmo fotógrafo testemunharia a morte do metalúrgico Manoel Fiel Filho. Assassinado sob tortura, ele também foi apresentado pelo regime como "suicida".

Historiadores são unânimes: ambas as mortes foram decisivas para mudar os rumos da ditadura.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Vídeo conta por meio de depoimentos e imagens as ações violentas da PM no Pinheirinho

Vídeo retrata a ação violenta da Polícia Militar e o desespero de moradores durante a reintegração de posse realizada na ocupação do Pinheirinho, no dia 22 de janeiro, em São José dos Campos, interior de São Paulo. As imagens provam o uso de balas de borracha e gás lacrimogêneo contra a população como também o manuseio de armas de fogo por parte da Corporação. Segundo nota da PM, toda ação foi feita com respeito incondicional aos direitos humanos. Os desvios, segundo eles, serão apurados.

O Pinheirinho é do povo! Crônicas do terrorismo do Estado.



Leia também o manifesto apresentado pelos diretores do filme "Trabalhar Cansa" durante premiação com presença do governador.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Lugares da Memória: Resistência e Repressão em São Paulo

A ditadura militar que assolou o país nas décadas de 60 e 70 é exposta e denunciada na mostra "Lugares da Memória - Resistência e Repressão em São Paulo", em cartaz no Memorial da Resistência até março.

O Brasil teve, ao longo do século XX, ditaduras que perseguiram, prenderam e torturaram milhares de cidadãos que ousaram lutar contra o autoritarismo e as desigualdades sociais.

Em inúmeros lugares habitam as memórias das ações de controle, repressão e resistência políticas no Brasil durante os dois regimes autoritários - o Estado Novo (1937-1945) e a Ditadura Militar (1964-1985), e em períodos de democracia: presídios, praças, sindicatos, hospícios, campos de aprisionamento, igrejas, ruas, teatros, entre tantos, guardam a memória de atrocidades, lutas e conquistas, de maus tratos e solidariedade. E cabe a nós, agora, dar um sentido a esses lugares.

Por que e como se tornaram espaços de repressão ou campos da resistência? As histórias desses lugares estão nos trabalhos de pesquisadores, em matérias de jornais, em documentários, em documentos e fotografias de arquivos e, especialmente, na memória de cidadãos que, pela ação ou por herança, conhecem esses lugares.

Suportes de informação, são potenciais instrumentos de educação para a cidadania. Cabe a nós, então, despertá-los.

Memorial da Resistência de São Paulo
Largo General Osório, 66 - São Paulo/SP
Tel. 55 11 3335-4990.
Terça-feira a domingo, das 10h às 18h

http://www.memorialdaresistenciasp.org.br./index.php?option=com_content&view=article&id=36&Itemid=27

Elis Regina: sintese da MPB nos anos 1960 e 1970

por Bruno Yutaka Saito

Cantora "vivenciou todas as etapas do processo de legitimação da música brasileira", segundo tese de Rafaela Lunardi.

Era comum encontrar pelos muros de cidades brasileiras a pichação “Elis Vive”. A morte da cantora, então no auge, aos 36 anos, em 19 de janeiro de 1982, fora tão inesperada, que deixou fãs inconformados. Trinta anos depois, Elis vive como referência incontornável para quem faz, pensa ou ouve música brasileira. Na celebração da data, CDs com shows na íntegra, a nova edição de uma biografia e um estudo lançam novas luzes sobre a cantora.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

As palavras e as coisas: sobre as ditaduras

por Emir Sader

O flagrante dos otavinhos ao ter chamado a ditadura militar de “ditabranda” se repete no Chile. O governo neo-pinochetista de Sebastian Piñera aprovou no Congresso a substituição de ditadura militar por “governo militar” nos textos escolares e o de Pinochet de general e não de ditador. A trama fracassou lá também, mas deixa lições.

Que importância tem chamar as coisas pelos seus nomes? Dizer que ditadura foi ditadura e não ditabranda ou governo militar ou “regime autoritário” (como o chama FHC em suas análises)?

Chamar ditadura de ditadura é dizer que é o oposto de democracia. Dizer que se tratou de uma ditadura militar, quer dizer que as FFAA, como instituição, violaram as atribuições constitucionais, e assumiram o poder do Estado.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

“O Brasil é afetivo, encantador, violento e tenebroso”

Para Maria Rita Kehl, o importante é que quem está se mobilizando tenha inteligência política suficiente para saber que pontos políticos podem mobilizar.

por Áurea Lopes

Dois pesos: a psicanálise e o jornalismo. Foi a partir dessa parruda união de forças e percepções que Maria Rita Kehl produziu as crônicas de sua mais recente obra, entre muitos escritos em outros livros e jornais – incluindo o artigo que resultou na escandalosa suspensão de sua coluna no jornal O Estado de S. Paulo por ter defendido políticas do governo Lula, quando o jornal (que faz campanha contra a censura) apoiava o candidato à presidência José Serra.

“Eu até gostaria de fazer crônicas mais literárias, mas os temas da atualidade acabam me roubando... e é pra isso que eu vou”, diz a intelectual, que nesta entrevista exclusiva ao Brasil de Fato fala sobre “as dores do Brasil”, eixo agregador dos temas abordados em "18 crônicas e mais algumas", publicação da Boitempo Editorial lançada no final do ano passado.

Indignada com o descaso dos governos e a indiferença da população diante das mazelas sociais (“restos não resolvidos de 300 anos de escravidão”), Maria Rita fala sobre o engajamento dos jovens nas lutas populares (“ainda é pouco”), a violência policial (“resultado de uma ditadura que termina impune”) e afirma que os recursos para aplacar as dores do país estão na militância: “É hora de fazer política”.